Ok, o modelo de negócio dos media está esgotado e a sua função social mudou radicalmente! E então, como fica o jornalismo? O que é o jornalismo, afinal? Qual é a sua função no contexto da sociedade em rede mediada por computadores e ligada por tecnologias de informação e comunicação digitais? Há futuro para o jornalismo fora dos modelos de negócio tradicionais? O jornalismo ainda faz falta no mundo em que vivemos? Se o jornalismo tiver futuro, que futuro é esse?
Estas serão algumas das questões que me irão estar a ocupar nos próximos tempos. Respostas (possíveis) lá para Novembro!
P.S. Quem conhecer bons exemplos, que me os indique, s.f.f. Obrigado!
Blogue de acompanhamento ao Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação do ISCTE-IUL, anos lectivos 2012-2013. Reflexões sobre os temas tratados. Ligações relevantes e informações complementares.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014
sábado, 29 de dezembro de 2012
O parênteses de Gutenberg
Esta tese não é nova (nem estou a usá-la directamente em nenhum trabalho), mas foi referida en passant por Jeff Jarvis neste video e eu voltei a lembrar-me dela.
Basicamente, coloca a hipótese de a evolução dos media nos últimos quatro séculos - de Gutenberg à Internet - seja afinal um fugaz parênteses de literacia num modo de comunicação que era antes e continuará a ser depois sobretudo baseado na oralidade. E que isso tenha influenciado a maneira como comunicamos, a maneira como apreendemos o mundo e a forma como produzimos cultura.
Obviamente, há muitos pontos de cruzamento entre esta tese e muitas outras teses conhecidas da evolução dos media. Pegando apenas nas que estou a estudar ou estudei recentemente, lembro-me obviamente de Marshal McLhuan e a oralidade das sociedades pré-modernas, mas também vejo pontos de contacto nas teses de Yochai Benkler ou até na forma como, no seu livro mais recente - "Communication Power" - Manuel Castells liga o tipo de comunicação que fazemos à forma como pensamos.
Esta ideia é portanto - parece-me - extremamente poderosa e, se for verdade, tem consequências profundíssimas. Começando provavelmente por sugerir que a existência dos media - sustentados em modelos de negócios - pode ser afinal não mais do que um mero interlúdio histórico. Porque corresponderiam a um "confinement" da informação, entre "parênteses" de diferentes tipos, dando origem àquela palavra tão repetida pelos responsáveis dos media mas que parece tão desfasada do tempo da internet: "conteúdo". Mas isso talvez seja ainda o menos importante. Que consequências terá isso tido na forma como fazemos ciência e na ciência que fazemos? E na forma como nos organizamos socialmente? Em casas, por exemplo. E politicamente? Com constituições escritas. E leis escritas. E em países, com fronteiras? São assombrosas as perguntas que geram perguntas!
A tese do "Parênteses de Gutenberg" é da autoria de Tom Pettitt, professor de literatura inglesa clássica na Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense. Não há propriamente um livro para sustentar a tese, mas há um site onde se pretende que a investigação evolua, há um paper do próprio Pettitt e há várias referências espalhadas pela web, entre as quais esta a propósito de uma apresentação feita no MIT, do qual se fez o video abaixo. É longo (há um resumo escrito aqui), mas vale a pena ver para quem se interesse por estas questões. A tese é mind-blowing e é certo que não saímos dela como entrámos. Eu, pelo menos, não saí.
Gostava de voltar a esta tese algures no futuro. Pode ser que aconteça.
Basicamente, coloca a hipótese de a evolução dos media nos últimos quatro séculos - de Gutenberg à Internet - seja afinal um fugaz parênteses de literacia num modo de comunicação que era antes e continuará a ser depois sobretudo baseado na oralidade. E que isso tenha influenciado a maneira como comunicamos, a maneira como apreendemos o mundo e a forma como produzimos cultura.
Obviamente, há muitos pontos de cruzamento entre esta tese e muitas outras teses conhecidas da evolução dos media. Pegando apenas nas que estou a estudar ou estudei recentemente, lembro-me obviamente de Marshal McLhuan e a oralidade das sociedades pré-modernas, mas também vejo pontos de contacto nas teses de Yochai Benkler ou até na forma como, no seu livro mais recente - "Communication Power" - Manuel Castells liga o tipo de comunicação que fazemos à forma como pensamos.
Esta ideia é portanto - parece-me - extremamente poderosa e, se for verdade, tem consequências profundíssimas. Começando provavelmente por sugerir que a existência dos media - sustentados em modelos de negócios - pode ser afinal não mais do que um mero interlúdio histórico. Porque corresponderiam a um "confinement" da informação, entre "parênteses" de diferentes tipos, dando origem àquela palavra tão repetida pelos responsáveis dos media mas que parece tão desfasada do tempo da internet: "conteúdo". Mas isso talvez seja ainda o menos importante. Que consequências terá isso tido na forma como fazemos ciência e na ciência que fazemos? E na forma como nos organizamos socialmente? Em casas, por exemplo. E politicamente? Com constituições escritas. E leis escritas. E em países, com fronteiras? São assombrosas as perguntas que geram perguntas!
A tese do "Parênteses de Gutenberg" é da autoria de Tom Pettitt, professor de literatura inglesa clássica na Universidade do Sul da Dinamarca, em Odense. Não há propriamente um livro para sustentar a tese, mas há um site onde se pretende que a investigação evolua, há um paper do próprio Pettitt e há várias referências espalhadas pela web, entre as quais esta a propósito de uma apresentação feita no MIT, do qual se fez o video abaixo. É longo (há um resumo escrito aqui), mas vale a pena ver para quem se interesse por estas questões. A tese é mind-blowing e é certo que não saímos dela como entrámos. Eu, pelo menos, não saí.
Gostava de voltar a esta tese algures no futuro. Pode ser que aconteça.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Marshal McLuhan
Marshal McLuhan por volta de 1963-64.
Reparem no trecho a partir do minuto 1:07
"Em vez de comprar um livro, do qual foram impressas 5.000 cópias, uma pessoa irá ao telefone, descreve as suas necessidades, os seus problemas, e eles, com ajuda de todas as bibliotecas do mundo vão imprimir em xerox um exemplar só para si, pessoal, não para ser vendido na livraria, e enviam-lhe o livro como um serviço pessoal. É neste caminho que vamos, com as informações electrónicas."
Na altura ainda não havia internet...
Reparem no trecho a partir do minuto 1:07
"Em vez de comprar um livro, do qual foram impressas 5.000 cópias, uma pessoa irá ao telefone, descreve as suas necessidades, os seus problemas, e eles, com ajuda de todas as bibliotecas do mundo vão imprimir em xerox um exemplar só para si, pessoal, não para ser vendido na livraria, e enviam-lhe o livro como um serviço pessoal. É neste caminho que vamos, com as informações electrónicas."
Na altura ainda não havia internet...
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
O enigma das ciências sociais
"O grande continente inexplorado pela ciência é o da ciência social" - Dirk Helbing
http://edge.org/conversation/a-new-kind-of-social-inspired-technology
Esta conversa talvez seja interessante no contexto deste mestrado. Para Dirk Helbing, as ciências sociais serão a grande fonte de novos conhecimentos neste milénio. Esta é uma ideia que cola fácil com a realidade. Realmente, praticamente todos os outros ramos da ciência estão mais avançados em termos das certezas e guidelines que podem oferecer ao "utilizador" comum. As ciências sociais estão bem mais "atrasadas".
Mas, com todas as transformações que estão a acontecer no mundo social, é inevitável que a ciência seja confrontada com questões exigentes às quais terá que dar resposta. O post anterior é típico, no sentido em que qualquer discussão séria e profunda acerca das novas tecnologias de comunicação e das novas práticas e estruturas sociais que ela engendra leva inevitavelmente a um beco sem saída de dúvidas, perguntas sem resposta e especulações não fundadas.
Eu acredito que a inteligência humana progride de forma homogénea ou não progride. Por isso, quando eu e o meu filho de 14 anos falámos de carreiras com futuro, eu sugeri-lhe genética, biomecânica e desenho e concepção de jogos (o que, obviamente lhe agradou...). Mas depois de ouvir esta tese de Dirk Helbing fiquei a pensar que talvez ele tenha razão...
http://edge.org/conversation/a-new-kind-of-social-inspired-technology
Esta conversa talvez seja interessante no contexto deste mestrado. Para Dirk Helbing, as ciências sociais serão a grande fonte de novos conhecimentos neste milénio. Esta é uma ideia que cola fácil com a realidade. Realmente, praticamente todos os outros ramos da ciência estão mais avançados em termos das certezas e guidelines que podem oferecer ao "utilizador" comum. As ciências sociais estão bem mais "atrasadas".
Mas, com todas as transformações que estão a acontecer no mundo social, é inevitável que a ciência seja confrontada com questões exigentes às quais terá que dar resposta. O post anterior é típico, no sentido em que qualquer discussão séria e profunda acerca das novas tecnologias de comunicação e das novas práticas e estruturas sociais que ela engendra leva inevitavelmente a um beco sem saída de dúvidas, perguntas sem resposta e especulações não fundadas.
Eu acredito que a inteligência humana progride de forma homogénea ou não progride. Por isso, quando eu e o meu filho de 14 anos falámos de carreiras com futuro, eu sugeri-lhe genética, biomecânica e desenho e concepção de jogos (o que, obviamente lhe agradou...). Mas depois de ouvir esta tese de Dirk Helbing fiquei a pensar que talvez ele tenha razão...
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